As artes de Otávio Francisco dos Santos, mais conhecido como Otávio Bahia, são eternas. Mostram-se a cada talho, existem no mais expressivo olhar e, por fim, rendem-se magistralmente renovada, retornando à fonte de seu propósito: a África.
A tão cantada e explorada ligação entre a África e a Bahia de Todos os Santos, principalmente no que se refere a sua beleza iconográfica e imagética, é trazida à luz – para além das associações desfocadas e simplistas – nas incríveis peças em madeira (máscaras, figuras humanas, orixás, móveis etc) desse exímio produtor falecido recentemente. Otávio Bahia nos deixou no fim de 2010. Sua arte jamais fenecerá.
A trajetória desse expoente da cultura baiana não deixa de ser curiosa. Começa trabalhando ainda garoto como fabricante de móveis, quando aprende as bases do ofício com a madeira, distante porém, ainda, de maiores afinidades com suas próprias raízes africanas.
A partir de uma visita singular a uma exposição de arte africana, passa a modelar máscaras em lugar de móveis somente. Um círculo se fecha e outro magnífico se abre. Os temas africanos, pelo caminho de suas mãos, reinventam o ser como artista, enquanto uma estética de forte caráter afro-baiano nasce com bastante vigor. Logo seus primeiros trabalhos passam a chamar a atenção de outros artistas e de pessoas ligadas aos terreiros de Candomblé que prontamente passam a lhe fazer encomendas. Mais um universo se abre ao talento do artista: o mundo dos Orixás, suas cores, formas e fundamentos, riqueza incalculável de conhecimento necessário para os inúmeros pedidos que recebe e para a própria formação do artista. O traço fantástico de Otávio causa uma perplexidade pontual: a da descoberta de uma arte mestiça, que bebe nas diversas fontes de expressão africana, mas que aponta também para algo genuinamente brasileiro e baiano. Uma máscara Senufo ou Dogon, Bijagó ou Gueledé, todos esses arquétipos são reformulados em sua obra, reconstruídos segundo a sensibilidade ímpar de Otávio, e passam a fazer parte de uma iconografia baiana mais que coerente se nos voltarmos para a história da Cidade do Salvador e de seu Recôncavo, quase que místico, destino e amálgama de diversas populações africanas, a Roma Negra.
Muitas das peças de Otávio Bahia se encontram na mão de alguns poucos colecionadores. Hoje é raro encontrar vestígios de sua produção. Nos últimos anos ele vinha esculpindo, com a mesma qualidade de sempre, em sua casa-ateliê em Fazenda Coutos, subúrbio ferroviário de Salvador, mas essa boa atividade de criação veio a sofrer alguns golpes de sua já debilitada saúde – Otávio era um senhor bem franzino –, além dos embates pessoais e familiares por motivos religiosos. Oitenta anos se passaram e deixarão saudade – usava óculos, sorria bonito.
imagem_01: Máscara de Exu
imagem_02: Figura Sentada
imagem_03: Mãe Preta
* peças do acervo da Sala Oyá Galeria
[ver mais em www.salaoya.com.br]
imagem_01: Máscara de Exu
imagem_02: Figura Sentada
imagem_03: Mãe Preta
* peças do acervo da Sala Oyá Galeria
[ver mais em www.salaoya.com.br]



QUERO INFORMAÇÕES, POR FAVOR - TENHO 2 ESCULTURAS DE OTÁVIO BAHIA, QUE ADQUIRI NO MERCADO MODELO, DIRETO COM O MESMO EM SUA BARRACA QUE FOI À ÉPOCA VISITADA PELO ENTÃO PRESIDENTE COSTA E SILVA E SUA MULHER (TENHO JORNAL DA ÉPOCA COM FOTO E ARTIGO DESSE EPZÓDIO), EM NOVEMBRO DE 1977. PARECE-ME CATALOGADAS, POIS ALÉM DA ASSINATURA DO OTÁVIO, AMBAS TÊM UMA NUMERAÇÃO SOB O PEDESTAL. É UM ESGUIO CASAL DE AFRICANOS COM 90 CM. DE ALTURA. MEU EMAIL É pedropaulosal1945@gmail.com
ResponderExcluir