quinta-feira, 23 de junho de 2011

SOBRE OYÁ

Eis uma série de Oriki de Oyá e em seguida algumas lendas que versam sobre sua coragem e vivacidade extrema.

1 – Mulher de vestes vistosas
2 – Minha mãe da roupa de fogo
3 – Nada de mentiras pra ti
4 – Mulher neblina no ar
5 – Oyá, leopardo que come pimenta crua
6 – Onde ela está, o fogo aflora
7 – Mulher que olha como se quebrasse cabaças
8 – Fêmea que flana
9 – Epa, Oyá dos nove partos, eu te saúdo
10- Ventania que pariu o fogo
11- Beleza preta no ventre do vento
12- Ela dorme dançando
13- Quem procura Oyá no vaivém do mercado vai e vê que ela anda de quitanda em quitanda mascando nacos de Obí e vibrando em vermelho. Oyá, brasa do bata, lança de fogo no jogo da dança.

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Oyá vivia com Ogum antes de tornar-se esposa de Xangô. Vivia, então, com o ferreiro ajudando-o em seu ofício, principalmente manejando o fole para atear fogo à forja. Certa vez Ogum presenteou Oyá com uma varinha de ferro que possuía o poder de dividir em sete partes os homens e em nove partes as mulheres, bastando tocá-la no corpo de um deles. Ogum dividia assim com Oyá o poder de manejar essa arma nas guerras.

Nessa mesma vila vivia Xangô, simpático e sedutor que, vez por outra, ia à casa de Ogum apreciar não só o trabalho do ferreiro, mas também para arriscar olhares para Oyá. Xangô impressionava muito Oyá, principalmente por seu olhar majestático.

Um dia Oyá fugiu com Xangô fazendo com que Ogum saísse numa busca alucinante pelos dois. Ao se encontrarem, Ogum e Oyá tocaram-se ao mesmo tempo com a varinha e o encanto aconteceu. Ogum dividiu-se em sete partes donde recebeu o nome de Ogum Mejê, e Oyá foi dividida em nove pedaços, sendo conhecida como Oyá Mensan. Daí se originou o nome Iansã, a mãe que se transformou em nove. Ou, para outras vertentes, a mãe dos nove filhos.

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Certa vez houve uma festa com todas as divindades presentes. Omulu-Obaluaê chegou vestindo seu capucho de palha. Ninguém o podia reconhecer sob o disfarce e nenhuma mulher quis dançar com ele. Só Oyá, corajosa, atirou-se na dança com o Senhor da Terra. Tanto girava Oyá na sua dança que provocava vento. E o vento de Oyá levantou as palhas e descobriu o corpo de Obaluaê. Para surpresa geral, era um belo homem. O povo o aclamou por sua beleza.

Obaluaê ficou mais do que contente com a festa, ficou grato, e em recompensa, dividiu com ela o seu reino. Fez de Oyá a rainha dos espíritos dos mortos. Rainha que é Oyá Igbalé, a condutora dos eguns.

Oyá então dançou e dançou de alegria para mostrar a todos seu poder sobre os mortos. Quando ela dançava, agitava no ar o iruquerê, o espanta-mosca com que afasta os eguns para o outro mundo.

Rainha Oyá Igbalé, a condutora dos espíritos.

Rainha que foi sempre a grande paixão de Omulu.

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Osogyian estava em guerra. Mas a guerra não acabava nunca, tão poucas eram as armas para guerrear. Ogum fazia as armas, mas fazia lentamente. Osogyian pediu a seu amigo Ogum urgência, mas o ferreiro já fazia o possível. O ferro era muito demorado para se forjar e cada ferramenta nova tardava como o tempo. Tanto reclamou Osogyian que Oyá, esposa do ferreiro, resolveu ajudar Ogum a apressar a fabricação.

Oyá se pôs a soprar o fogo da forja de Ogum e seu sopro avivava intensamente o fogo. E o fogo aumentado de calor derretia o ferro mais rapidamente. E logo Ogum pôde fazer muitas armas. E com as armas Osogyian venceu a guerra. Osogyian veio então agradecer Ogum. E na casa de Ogum enamorou-se de Oyá.

Um dia fugiram Osogyian e Oyá, deixando Ogum enfurecido e sua forja fria. Quando mais tarde Osogyian voltou à guerra e quando precisou de armas muito urgentemente, Oyá teve que voltar a avivar a forja. E lá ao longe da casa de Osogyian, onde vivia agora, Oyá soprava em direção à forja de Ogum. E seu sopro atravessava toda a terra que separava a cidade de Osogyian da de Ogum.

Seu sopro cruzava os ares e arrastava consigo pó, folhas e tudo o mais pelo caminho, até chegar às chamas com furor. E o povo se acostumou com o sopro de Oyá cruzando os ares e logo o chamou de vento. E quanto mais a guerra era terrível e mais urgia a fabricação das armas, mais forte soprava Oyá a forja de Ogum. Tão forte que às vezes destruía tudo no caminho, levando casas, arrancando árvores, arrasando cidades e aldeias.

O povo reconhecia o sopro destrutivo de Oyá. E o povo chamava a isso tempestade.

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